Escolas em MG, RJ e SP ampliam formação de professores, orientação às famílias e projetos pedagógicos com inteligência artificial para desenvolver pensamento crítico e uso responsável da tecnologia
A partir de 17 de março, entra em vigor no Brasil a Lei 15.211/2025, conhecida como ECA Digital, que amplia diretrizes para a proteção de crianças e adolescentes no ambiente online. Em sintonia com essa nova legislação, a Rede de Educação Missionária Servas do Espírito Santo, com escolas em Juiz de Fora, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo, reforça ações pedagógicas voltadas à cidadania digital, ao uso ético da tecnologia e ao desenvolvimento do pensamento crítico dos estudantes.
A iniciativa integra o currículo de inovação da rede e busca preparar alunos, educadores e famílias para lidar de forma responsável com as tecnologias digitais, incluindo ferramentas de inteligência artificial, cada vez mais presentes no cotidiano educacional.
“A inovação tecnológica precisa caminhar junto com responsabilidade. Nosso objetivo é formar estudantes capazes de utilizar as ferramentas digitais de maneira crítica, criativa e ética”, afirma Karla Priscilla, coordenadora de inovação da Rede de escolas Missionárias Servas do Espírito Santo.
Formação de educadores e parceria com famílias
Para garantir a implementação das diretrizes previstas no ECA Digital, a rede estruturou duas frentes principais de atuação. A primeira é a formação de educadores, que recebem capacitação para compreender os limites éticos do ambiente digital e orientar os estudantes sobre segurança online, cidadania digital e caminhos de apoio em situações de risco.
A segunda frente é a parceria entre escola e família. A rede promove momentos formativos com pais e responsáveis para discutir o uso de tecnologias por crianças e adolescentes, além de apresentar ferramentas de controle parental e estratégias para acompanhar a navegação dos filhos em redes sociais e plataformas digitais. A proposta é fortalecer o diálogo entre escola e família e reforçar que a segurança digital é uma responsabilidade compartilhada.
Dentro desse cenário de transformação digital, a Inteligência Artificial também vem sendo incorporada às práticas pedagógicas da rede como uma ferramenta de apoio ao ensino e à aprendizagem.
Para os professores, a tecnologia funciona como um assistente pedagógico, auxiliando na criação de planos de aula, atividades, avaliações e na organização de conteúdos e dados educacionais. Isso permite que o educador dedique mais tempo ao acompanhamento individual dos alunos e ao desenvolvimento de atividades mais dinâmicas em sala de aula.
Para os estudantes, a IA pode atuar como um tutor personalizado, oferecendo explicações adaptadas ao ritmo de aprendizagem de cada aluno e ampliando a acessibilidade para estudantes com dificuldades de aprendizagem ou deficiência.
Formação em IA começa com os educadores
Com a presença crescente da inteligência artificial no ambiente educacional, o papel do professor também se transforma. Mais do que transmitir conteúdos, o educador passa a atuar como mentor e mediador do conhecimento, incentivando o pensamento crítico e a autonomia dos estudantes.
Em sala de aula, a tecnologia pode ser utilizada como apoio em diferentes atividades, como gerar explicações alternativas sobre um mesmo tema, produzir rascunhos de textos para revisão dos alunos ou responder dúvidas iniciais, permitindo que o professor ofereça atenção mais personalizada aos estudantes.
O uso pedagógico da inteligência artificial na rede não começou agora. Desde 2023, educadores, docentes e não docentes, participam de formações voltadas ao uso intencional da tecnologia na educação.
A iniciativa busca preparar os profissionais para utilizar as ferramentas de forma estratégica e, ao mesmo tempo, desenvolver o letramento digital dos estudantes, ensinando como interagir com a tecnologia com responsabilidade e senso crítico.
O contato dos alunos com tecnologias baseadas em inteligência artificial acontece de forma gradual e orientada. Nos anos iniciais, os estudantes já utilizam plataformas educacionais que integram recursos de IA, sempre com acompanhamento pedagógico. A partir dos 13 anos, nos anos finais do Ensino Fundamental, os alunos passam a ter contato mais direto com ferramentas de IA generativa por meio do ecossistema Google for Education, aprendendo a pesquisar, checar informações e citar fontes corretamente. No Ensino Médio, os estudantes ganham mais autonomia no uso dessas ferramentas, sempre com orientação dos professores.
Um dos exemplos de aplicação da tecnologia na rede está nos projetos de iniciação científica desenvolvidos no Ensino Médio. Entre a 1ª e a 2ª série, os estudantes desenvolvem uma monografia a partir de temas de interesse próprio. Durante o processo de pesquisa, utilizam ferramentas acadêmicas e de inteligência artificial, como Google Acadêmico, Gemini e NotebookLM, para organizar referências, realizar curadoria de conteúdos e aprofundar suas investigações.
Todo o processo é acompanhado por um trabalho consistente de educação midiática, que ensina os alunos a verificar informações, validar dados e compreender os limites e possibilidades das tecnologias digitais.