Educadora destaca o papel do afeto e da rotina
Celebrado em 18 de abril, o Dia Nacional do Livro Infantil foi instituído com o objetivo de incentivar o hábito da leitura desde os primeiros anos de vida. A data também homenageia a literatura infantil brasileira e convida famílias e educadores a valorizarem obras que marcaram gerações.
O incentivo à leitura desde os primeiros anos de vida é um dos pilares para o desenvolvimento integral das crianças. Segundo Cris Leão, coordenadora da Educação Infantil do Colégio Imaculado Coração de Maria (RJ), o contato com os livros deve começar ainda na primeira infância e não está restrito ao processo de alfabetização, mas sim à construção de vínculos, emoções e aprendizagens significativas.
Leitura começa desde o início da vida
Não existe idade mínima para apresentar o universo literário às crianças. Desde bebês, elas podem explorar livros com diferentes texturas, cores e formatos, além de ouvir histórias narradas pelos adultos. Esse contato inicial, mesmo antes da fala ou da leitura convencional, já contribui para a familiarização com os livros e para a criação de uma relação afetiva com a leitura.
Um laboratório de emoções e desenvolvimento
Mais do que estimular habilidades cognitivas e motoras, a leitura funciona como um verdadeiro laboratório emocional. Por meio das histórias, a criança vivencia medos, perdas e conquistas de maneira segura, projetando-se nos personagens. Esse processo contribui para transformar sensações ainda confusas em sentimentos nomeados, como frustração e ansiedade, ampliando o repertório emocional. Além disso, ao acompanhar a jornada dos personagens, a criança desenvolve empatia e aprende que erros e dificuldades fazem parte do crescimento.
Impactos no desempenho e na criatividade
A diferença no desenvolvimento também se reflete no ambiente escolar. Crianças que têm acesso frequente à leitura tendem a apresentar um repertório linguístico mais amplo, maior capacidade criativa e mais desenvoltura para resolver situações do cotidiano. O hábito da leitura, portanto, influencia diretamente a forma como a criança se expressa, compreende o mundo e interage com ele.
A importância da rotina e do ambiente
Para incentivar esse hábito, é fundamental que a leitura faça parte da rotina familiar. Momentos diários de leitura compartilhada, mesmo que breves, fortalecem os vínculos afetivos e tornam a experiência mais significativa. Criar um espaço dedicado aos livros dentro de casa, deixá-los ao alcance das crianças e promover passeios a livrarias são estratégias que despertam a curiosidade e o interesse pela diversidade literária.
Leitura como experiência afetiva e lúdica
O papel do adulto vai além da simples leitura em voz alta. A forma como a história é contada faz toda a diferença: entonação, expressões faciais e envolvimento emocional tornam a narrativa mais atrativa. A leitura deve acontecer sem pressa, permitindo que a criança interrompa, faça perguntas e explore as ilustrações. Esse momento, antes de tudo, é uma troca de afeto, em que o adulto atua como mediador e “tradutor de mundos”.
Quando o interesse não surge espontaneamente
É comum que algumas crianças demonstrem menor interesse inicial pelos livros. Nesses casos, a recomendação é apostar na ludicidade e na curiosidade, criando brincadeiras a partir das histórias e destacando personagens e ilustrações. A leitura precisa ser vivenciada como uma experiência social e prazerosa, e não apenas como uma atividade obrigatória. Ao ouvir histórias em diferentes contextos e ambientes, a criança tende a se envolver de forma mais natural.
O valor da repetição na construção do hábito
Um comportamento frequente na infância é o pedido pela repetição das histórias favoritas, e isso deve ser incentivado. A repetição gera conforto emocional, aprofunda a compreensão da narrativa e permite que a criança perceba novos detalhes a cada leitura. Além disso, esse processo estimula a recontagem das histórias, fortalecendo a autonomia, a memória e a segurança.
Sugestões de leitura para diferentes idades
Entre as indicações da especialista estão títulos que dialogam com cada fase do desenvolvimento. Para crianças de 0 a 2 anos, obras como O que tem dentro da minha fralda? e a coleção NiNoca são boas opções. Já para a faixa de 3 a 4 anos, destacam-se: Que bicho será que a cobra comeu?, A casa sonolenta e Amigos. Para crianças de 5 a 6 anos, títulos como: Este livro comeu meu cão e Não abra este livro, costumam despertar grande interesse.
Formação de leitores vai além do livro
Para Cris Leão, incentivar a leitura na infância é, acima de tudo, criar experiências reais e significativas. O hábito não surge de forma espontânea, mas é construído a partir da convivência, da escuta e do afeto. Quando a leitura se torna um momento prazeroso e compartilhado, ela deixa de ser apenas uma atividade e passa a ocupar um lugar essencial na vida da criança.