Geopolítica na escola: jovens representam países e aprendem a negociar interesses e construir acordos
Como seria defender os interesses de um país com o qual você não necessariamente concorda? E negociar uma solução com outras nações diante de um problema que envolve economia, política e relações internacionais?
Para um grupo de estudantes do Colégio Espírito Santo, em São Paulo, esse exercício faz parte da rotina. Semanalmente, jovens interessados em relações internacionais se reúnem para acompanhar acontecimentos mundiais, estudar geopolítica e se preparar para assumir o papel de representantes de diferentes países em simulações de negociações internacionais.
Eles integram o Grupo de Estudos de Relações Internacionais (GERI), iniciativa que transforma temas que normalmente aparecem nos noticiários, disputas econômicas, conflitos, acordos e questões diplomáticas, em debates conduzidos pelos próprios estudantes.
Durante as simulações, cada participante recebe um país para representar. A partir daí, precisa deixar de lado suas opiniões pessoais, pesquisar o posicionamento daquela nação, defender seus interesses, negociar com outros delegados e buscar possíveis acordos.
A proposta permite abordar um desafio cada vez mais presente na formação dos jovens: como estimular adolescentes a compreender acontecimentos internacionais, confrontar diferentes pontos de vista e construir argumentos em um ambiente marcado pelo acesso rápido e fragmentado à informação.
“O mais interessante é perceber que os estudantes não ficam apenas no campo teórico. Durante as simulações, eles precisam pesquisar, argumentar, ouvir o outro e, muitas vezes, defender a posição de um país que não corresponde necessariamente à sua opinião pessoal. Esse exercício amplia o olhar sobre o mundo e mostra que questões complexas exigem diálogo, negociação e capacidade de compreender diferentes perspectivas”, afirma Cristiane Imperador, coordenadora pedagógica do 9º ano e Ensino Médio do Colégio Espírito Santo.
Alunos organizam a própria simulação
Um dos desdobramentos do projeto é o SICES – Simulação Interna do Colégio Espírito Santo, evento organizado e dirigido pelos próprios estudantes. Na edição realizada em setembro de 2026, a experiência ultrapassou os muros da escola. O Colégio Espírito Santo recebeu alunos da ETEC Parque Belém, reunindo jovens de diferentes contextos em uma mesma mesa de negociação.
O assunto escolhido pelos estudantes para a edição deste ano foi minerais críticos. Durante a simulação, os participantes precisaram representar diferentes interesses e negociar diante de um tema que envolve questões econômicas, tecnológicas, ambientais e geopolíticas.
Mais do que chegar a uma resposta considerada correta, o exercício exige dos adolescentes competências como pesquisa, argumentação, escuta, negociação, capacidade de lidar com opiniões divergentes e construção coletiva de soluções.
Outro diferencial é o protagonismo dos próprios jovens. Eles não participam apenas como delegados: são responsáveis também pela organização e condução da simulação.
Da escola para outros fóruns
A experiência não fica restrita ao ambiente escolar. Os integrantes do GERI também participam de simulações promovidas por outras instituições, entre elas a FAAP, onde têm contato com estudantes de diferentes escolas e ampliam a experiência de debate e negociação.
O projeto surgiu a partir do interesse dos próprios alunos por relações internacionais e faz parte de uma proposta do Colégio Espírito Santo de apoiar grupos formados em torno dos interesses dos estudantes.
Às terças-feiras, os participantes do GERI se encontram para estudar acontecimentos internacionais e se preparar para os debates. Nas simulações, o conhecimento deixa o campo teórico: os estudantes precisam assumir posições, responder aos argumentos dos demais participantes e encontrar caminhos possíveis para situações complexas.